sexta-feira, 14 de junho de 2019

Contra os cortes na educação e a reforma previdenciária!!!

Contra os cortes na educação e a reforma previdenciária!!!

O atual governo, por meio de seu Ministro da Educação, cortou 30% dos recursos das universidades e institutos federais, o que inviabiliza o trabalho destas instituições já no segundo semestre de 2019. Também, cortou 47% do Fundo Nacional para Educação Básica – FUNDEB, o que implicará em mais precarização das escolas e do trabalho das professoras e professores da educação básica em todo o Brasil. Essas medidas atendem apenas aos interesses do capital e são contra as necessidades da população, pois existem outros setores em que os gastos poderiam ser cortados Tais políticas só precarizam ainda mais a educação estatal (pública).

Mas o mais dramático para os trabalhadores ainda está em tramitação no Congresso Nacional, a reforma previdenciária. Justificada por argumentos conhecidamente mentirosos, implicará no aumento da idade para se aposentar (podendo chegar até 70 anos), redução para 400 reais do valor do BPC – Benefício de Prestação Continuada, insegurança para quem recebe algum auxílio do INSS, diminuição das pensões por morte etc. Assim, se você recebe ou tem amigos e familiares que recebem alguns destes benefícios, saiba que estão ameaçados. 

Essa política deu errado em todos os países onde foi implantada (a exemplo do Chile, país com maior índice de suicídio entre idosos, pois mais da metade recebe menos de um salário mínimo). Não há nenhum indicativo de que dará certo aqui também. O que é evidente é o interesse dos bancos em abocanhar os bilhões que a Previdência gera todo ano. A reforma previdenciária beneficia o capital e prejudica as classes trabalhadoras.

Qual deve ser a posição dos trabalhadores e estudantes?

As classes trabalhadoras devem se posicionar diante do que está acontecendo. Precarizar ainda mais a educação, significa piorar as condições de estudo dos filhos dos trabalhadores. Destruir a previdência, significa impedir os idosos das classes trabalhadoras o acesso à aposentadoria, auxílio doença, pensão etc. A classe capitalista e seu estado efetivam uma luta contra as classes trabalhadoras e essas devem reagir lutando contra o capital.

Os velhos sindicatos e partidos políticos estão de tal modo preocupados com a garantia de seus interesses, que são uma barreira à luta dos trabalhadores. Não devemos confiar nos sindicatos, pois servem aos próprios interesses e estão aliados ao capital. Os partidos políticos? Embora falem em nome do “povo”, estão de olho nas próximas eleições, na busca por cargos, poder, interesses financeiros etc.

Assim, partidos políticos e sindicatos devem ser abandonados e superados!!!!

Criemos nossas próprias organizações em nossos locais de trabalho, de estudo, de moradia. Criemos espaços de estudos, reflexões e articulação para constituir alternativas políticas. Os trabalhadores devem combater as nocivas políticas governamentais e para isso devem ampliar sua consciência do que está em jogo e criar comitês de luta popular para efetivar ações e pressões contra elas. Somente assim podemos combater os retrocessos e criar espaço para avançarmos rumo à transformação social e solução definitiva dos problemas sociais. O Movimento Autogestionário (MOVAUT) se coloca à disposição para contribuir com este processo.

Contra o estado e o capital!
Pela auto-organização dos estudantes e das classes trabalhadoras!!
Lute pela Autogestão Social!!!
MOVAUT - Movimento Autogestionário – http://movaut.blogspot.com/

segunda-feira, 13 de maio de 2019

CONTRA O PERSONALISMO

TEXTOS E DEBATES




CONTRA O PERSONALISMO


Rubens Vinicius da Silva

O personalismo (entendido aqui como o processo no qual se efetua um isolamento fantástico de um ou mais indivíduos do conjunto das relações sociais concretas e específicas de um território e contexto sócio histórico) é um grande entrave na compreensão dos fenômenos sociais e da história humana. Tal história tem sido, nas sociedades de classes, a história das ilusões.


Assim, para superá-las, não se trata de criticar ou denunciar um ou mais membros da polícia, do governo, do partido/sindicato x ou y, e sim entender as relações sociais fundamentais que se dão dentro e fora dessas instituições como um todo.


O personalismo liga o desenvolvimento das sociedades, suas mutações e de suas lutas históricas às façanhas ou mentes e ideias “geniais” de “grandes personalidades”: tal procedimento intelectual vai ao encontro da perspectiva burguesa, que ignora a constituição histórica e social dos seres humanos, seu pertencimento de classe, valores, ideias, sentimentos e mentalidade. Ademais, isola determinadas características desses indivíduos (geralmente membros das classes superiores) e abandona o ponto de vista da totalidade: são os seres humanos reais, históricos e concretos que travam suas lutas e, desse modo, fazem a história a partir das condições legadas do passado.


A luta cultural assume papel importante no combate ao personalismo: isso porque resgata as lutas de classes, os interesses das classes (do proletariado em especial, a classe potencialmente revolucionária de nosso tempo) e setores que contestam a sociedade capitalista. Além disso, é a partir da luta cultural que se denuncia como o ponto de vista que reproduz a concepção da história fundada na ação grandiosa de “grandes indivíduos” em realidade diz muito sobre a necessidade de manutenção das relações de exploração e dominação características da sociedade moderna.


Assim, é fundamental fazer avançar a formação intelectual e política das classes inferiores e demais setores contestatários, no sentido de se organizar não contra o governo, a polícia, ou o partido político de x ou y e sim contra os fundamentos da sociedade capitalista e da sua totalidade, uma vez que são as relações sociais capitalistas as geradoras da miséria psíquica, cultural e material que aflige a humanidade. Dessa forma, a revolução proletária não busca eliminar indivíduos ou culpá-los isolada e moralmente por todas as relações sociais capitalistas e sim destruir as instituições, organizações e o conjunto dessas relações sociais, marcadas pela exploração, alienação e dominação.


No capitalismo, as organizações dominantes são as que se baseiam na divisão do trabalho entre dirigentes e dirigidos, relação social que é fundamental na manutenção das sociedades de classes. Nessas organizações o personalismo se manifesta no fato de os seus eventuais avanços e recuos na dinâmica organizacional serem atribuídos aos indivíduos que pertencem à classe dominante ou aos membros das frações de suas classes sociais auxiliares, em detrimento da negação aberta das contradições, conflitos e tensões existentes em virtude das lutas concretas ocorridas no seu interior. Nesse sentido, os vínculos daqueles que possuem os cargos de direção (e, por conta disso, tomam as decisões e fixam os objetivos no seio das organizações burocráticas) com os membros da classe dominante é mais do que nítido, de modo que os exemplos recentes proliferam.


Da mesma maneira, o aniversário de algumas experiências históricas e processos sociais dá a possibilidade de confirmar que a deformação da história efetuada por intermédio do personalismo tem se repetido: ora como tragédia, ora como farsa.


Ou seja, a grande questão é fomentar outras formas de organização, especialmente entre os trabalhadores produtivos, o proletariado, assim como nas demais classes e outros setores da sociedade que contestam o capitalismo. Não há como lutar pela superação do capitalismo reproduzindo a sua dinâmica; deste modo, a auto-organização deve ser um princípio fundamental das lutas.



Mas não ela como um fim em si: é preciso articular as lutas e lutadores reais, que se formam em oposição direta aos partidos e sindicatos, com um projeto de abolição e superação da sociedade capitalista. Não há como ter unidade com os inimigos de classe: mesmo aqueles que aparentam ser mais próximos e íntimos.


É por aí que passa o avanço num sentido revolucionário: o horizonte da transformação também passa pelo resgate das experiências históricas de luta, demonstrando o papel contrarrevolucionário de partidos e sindicatos. São estes últimos que pela ação direta de suas burocracias em determinados momentos históricos oscilam entre a sua função de classe auxiliar da burguesia ou buscam se autonomizar, expressando seus próprios interesses no sentido de se tornar a nova classe dominante, em especial quando do avanço das situações revolucionárias.


A história das lutas de classes demonstra que é justamente em períodos de avanço das lutas revolucionárias, autogeridas, que o papel de partidos, sindicatos e do estado se evidencia. Eles têm medo e horror à superação das relações de produção burguesas, pois isso significaria o fim de sua razão de existência, isto é, a de ser uma fração de classe auxiliar dos capitalistas.


Apenas combatendo de forma direta o personalismo (e as organizações burocráticas que o sistematizam e reproduzem) e, neste mesmo processo, forjando o embrião de uma sociabilidade e de uma sociedade sem dirigentes e dirigidos, nem exploradores e explorados, é que efetivamente estaremos constituindo um mundo no qual possamos ser socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres, fundado na autogestão social generalizada.

"A revolução proletária tem que destruir um poderoso sistema desde a raiz e criar algo de bem novo à mais larga escala. Para esta tarefa não são adequadas as forças dos partidos e sindicatos. Mesmo as mais fortes organizações são demasiado fracas para isso. A revolução proletária só pode ser obra da totalidade da classe proletária."

Otto Rühle

quinta-feira, 11 de abril de 2019

DITADURA, DEMOCRACIA OU AUTOGESTÃO SOCIAL?

TEXTOS E DEBATES


DITADURA, DEMOCRACIA OU AUTOGESTÃO SOCIAL?

Lucas Maia

Com toda esta babel em torno da questão da ditadura militar no Brasil, se ela existiu ou não, a consciência e a luta para a superação do capital e do estado recuou. Ao invés de se apontar o fim do estado, defende-se o estado democrático. Ao invés de se lutar pela constituição de outra sociedade (que eliminaria as ditaduras), luta-se para defender a democracia. Esquece-se com isto que a democracia é somente uma das formas de regime político do estado moderno, portanto, do capital.

Abandona-se assim a luta contra o capital e contra o estado em nome da defesa da democracia. Os setores mais radicalizados, o bloco revolucionário, se entram neste discurso, devem fazer alianças com liberais, social-democratas e toda a esquerda oficial que defende o estado democrático de direito.

Obviamente que lutar em um estado democrático é menos perigoso que em um estado ditatorial, pois, nas ditaduras (civis ou militares), a repressão estatal é generalizada e tende a perseguir todos os espectros políticos, organizações, indivíduos que se opõem ao poder estabelecido. As chamadas garantias democráticas (direito de organização, liberdade de expressão etc.) são cassadas. Isto não impede, contudo, que a luta na democracia, quando excede o tolerado pelo estado democrático de direito, torne este mesmo estado democrático tão abusivo quanto um estado ditatorial.

Além disto, as revoluções do século XX provam que elas emergem em qualquer tipo de regime político. Por exemplo, as revoluções russa (1905 e 1917) emergiram contra um estado ditatorial. O mesmo vale, por exemplo, para a revolução portuguesa de 1975, que surge dentro da ditadura de Salazar. Também, nos regimes democráticos, ocorreram importantes processos revolucionários: Revolução alemã de 1918 a 1921, o Maio de 1968 na França. Mesmo dentro do chamado “socialismo real”, na verdade um capitalismo de estado, emergiram importantes processos revolucionários contra as ditaduras dos estados “socialistas”: Hungria em 1956 e 1968, Polônia na década de 1980, etc.

Resta, portanto, colocar à frente da reflexão e da luta, não os interesses deste ou daquele partido, deste ou daquele regime político (ditadura ou democracia?), deste ou daquele grupo identitário, mas os interesses de classe (o das classes desprivilegiadas em geral e sobretudo do proletariado). Só assim superaremos a sinuca de bico ao demonstrar que para o proletariado, lutar contra a ditadura não implica em apoiar a democracia, pois o que está em jogo é a superação do capital e do estado (logo, de seus regimes políticos também). O que está em pauta, pois, é a constituição de uma nova sociedade radicalmente distinta da existente, fundada na autogestão social.

Ou é isto ou se ficará eternamente vítima das chantagens da classe dominante e suas classes auxiliares (burocracia e intelectualidade).

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Carta aos revolucionários sobre o antifascismo



Carta aos revolucionários sobre o antifascismo

Alexandra Peixoto Viana

O antifascismo, encabeçado pelos partidos políticos da dita esquerda, causa uma polarização simplória e reducionista [1], necessária para a reprodução do capitalismo. Quando revolucionários optam por bradar o mesmo grito, nada fazem além de dar um tiro no próprio pé. Compreendo a intenção, e ela é boa, mas não é estratégica e mostra insuficiência teórica.
Reforçar esse discurso e, como inevitável consequência, essa polarização, principalmente em contexto eleitoral, só faz com que trabalhadores e militantes: 1) temam uma suposta ameaça fascista e, em reação, votem no “menos ruim”, iniciando enxurradas de discussões acerca do tal “voto útil” e distanciando-se cada vez mais dos princípios e objetivos revolucionários; 2) optem por ficar do lado dos semifascistas, reproduzindo ainda mais discursos de ódio e aumentando as chances de eleição do candidato tão repudiado pelos partidos de esquerda. Inclusive, quanto mais “ibope” é dado, quanto mais as pessoas se debatem contra determinado candidato, mais ele cresce em intenção de voto.
Além da falta de reflexão estratégica, o antifascismo expressa também insuficiência teórica. A fim de atingir a autogestão social, nossas energias devem ser sempre despendidas nesse sentido. Os meios devem apontar para os fins. Além disso, não faz sentido lutar contra o fascismo no bojo da sociedade capitalista, pois ele, se os capitalistas assim quiserem ou precisarem, aparecerá por mais que relutemos.
Afirmar que estamos sob ameaça de “golpes”, como no caso do impeachment da Dilma ou da suposta ditadura fascista que, não à toa, teóricos atrelados ao poder estatal – seja por cargos ou por interesses de classe, enquanto intelligentsia [2] sustentada por partidos como o PT – tanto discorrem e teorizam a respeito, é reconhecer que vivemos sob um regime democrático. Acho que, a essa altura do campeonato, todos sabem que não existe democracia (no sentido ideal da palavra, como “governo do povo e para o povo”) no capitalismo. As mudanças políticas que ocorrem estão sempre atreladas ao interesse da classe capitalista, ou seja, o “golpe” e ditaduras só ocorrem com seu aval e mediante sua necessidade – eles mandam nas regras do jogo e, portanto, não há e nunca houve nada de democrático no capitalismo.
Vale lembrar que o próprio PT já foi acusado de fascismo por anarquistas: “Pois se o ‘golpismo fascista’ significa desenvolver a militarização política, hoje o que existe de mais próximo de fascismo no Brasil é o próprio PT, que reedita leis da ditadura, prende manifestantes e mata pobres nos campos e favelas” (BLOG UNIÃO ANARQUISTA, 2015). A luta antifascista, além de seus problemas estratégicos e teóricos, torna-se redundante e tudo pode ser tido como fascismo.
Ademais, lutar contra a ameaça fantasma de ditadura não leva a um aumento da consciência de classe, como é pretendido. Ao contrário, aumenta a animosidade, pois diminui o diálogo e classifica pessoas, que podem ser apenas desinformadas ou levadas pelo que leem nas correntes de WhatsApp e Facebook, como fascistas cruéis. Sabemos que as coisas não são tão simples e que essas categorizações são pobres.
Por mais que pareça uma boa ideia, o antifascismo jamais vislumbrará algo além do capitalismo. Nesse esteio, a única forma de combater o fascismo é fortalecendo as pautas revolucionárias, estimulando o proletariado – ou seja, quem produz e tem potencial de transformar radicalmente a sociedade – a ter consciência dessa potencialidade. A luta cultural é nosso principal meio de conseguir algo, através do estímulo e apoio aos trabalhadores e suas associações auto-organizadas. Isso não pode ser feito a partir de uma denúncia do fascismo, mediante as argumentações supracitadas.
Assim, me parece muito mais interessante e eficaz – ao invés de discursar contra um determinado candidato ou posicionamento político – discutir o Estado e suas implicações, sua função na manutenção da exploração e sua inevitável finalidade de nos manter trancafiados, calados, calejados. O voto é, para nós, uma ilusão, e esse ideal sobressai ao medo de um candidato X ou Y por ser fascista – por mais que este seja, de fato, assustador.
Em suma, quanto mais denunciamos o fascismo, mais força ganham os discursos de ódio, aumenta-se a polarização política vazia de sentido e fortalece-se o modo de produção capitalista. Toda essa animosidade entre nós mesmos não leva a lugar algum, só retardada o movimento e mantém tudo como está. Lembremos que a autocrítica é uma das nossas mais necessárias ferramentas em tempos de exacerbado egocentrismo, e a exercitemos.  É preciso não esquecer do objetivo principal e final da nossa luta: a emancipação humana. Para isso, não podemos nos deixar levar por modismos ideológicos ou pelo medo. Precisamos enxergar o todo.

Notas
[1] A polarização “esquerda versus direita” é simplória e reducionista, uma vez que não enxerga além das estruturas de poder estatais e das relações de produção contemporâneas, intrínsecas ao modo de produção capitalista. Ou seja, apoiar partidos de esquerda não é ser revolucionário, uma vez que não se propõe a mudança radical da sociedade, mas, ao contrário, a aceita e se contenta com pequenas reformas. Sobre isso, poderíamos discorrer ainda acerca da vanguarda e outros discursos partidários contrarrevolucionários.
[2] Intelligentsia é um conceito exposto por Makhaïski. Ela é caracterizada como um exército de trabalhadores intelectuais que se aproximam, por seu nível de vida, da burguesia. Não constitui um proletariado instruído, como quiseram afirmar alguns ideólogos, como Kautsky. A intelligentsia é responsável por propagar ideologias (falsas formas de consciência sistematizadas) que convém ao interesse de manter os privilégios (manutenção de cargos e salários, incluindo cargos acadêmicos) e, portanto, está atrelada aos interesses de capitalistas e burocratas. Ou seja, é uma classe auxiliar da burguesia, a classe dos intelectuais. O ideal desta classe é a transferência dos meios de produção ao Estado, reduzindo a luta operária à construção de um “socialismo de Estado”, no qual fariam parte da nova burocracia e aumentariam sua parte na partilha da mais-valia global (TRAGTENBERG, 1981).

Referências

BARROT, Jean. O antifascismo é o pior produto do fascismo. Revista Marxismo e Autogestão, número 4, jul./dez. de 2015.
MAKHAÏSKI, Jan Waclav. O Socialismo de Estado. In: TRAGTENBERG, Maurício (org.). Marxismo Heterodoxo. São Paulo: Brasiliense, 1981.
TRAGTENBERG, Maurício (org.). Marxismo Heterodoxo. São Paulo: Brasiliense, 1981.
BLOG UNIÃO ANARQUISTA. Os presos políticos do PT. Disponível em: https://uniaoanarquista.files.wordpress.com/2015/02/cdp71.pdf (acesso em outubro de 2018).

As mudanças que as eleições prometem é que não vão mudar nada [Textos e Debates]

Textos e Debates

As mudanças que as eleições prometem é que não vão mudar nada

Edmilson Borges da Silva

Estas eleições marcadas por um forte apelo anticorrupção, nos mostra como os mesmos nomes fazem as regras do jogo. Os eleitos nas eleições anteriores são as novidades de agora, que são os mesmos que alimentaram um dos elementos inerentes ao capitalismo, ou seja, subornar, corromper, ser corrompido, fraudar, pra melhor entender, roubar e legalizar o roubo. Os ditos “homens de negócios” alimentam os abutres que lhes representam nas instituições do Estado, desta forma, o processo eleitoral é uma farsa em que o que se diz não é para ser cumprido, ou ainda, se diz o que está latente à audição de quem sofre as mazelas da exploração e opressão e esconde as tramas fundamentais que retroalimentam essa ordem. Desta forma, são os lobos que falam aos cordeiros como se proteger, o que é a verdade, o que é a ética, a moral, etc. Refletir como a novidade é aparente, mesmo sendo os nomes, em muitos casos conhecidos; como os partidos mudam o figurino sem mudar o conteúdo; como os templos continuam “abençoando” os feitores e, afirmar que a radicalidade de uma mudança não passará por essa vã esperança em que os exploradores orientam os explorados a repetir o ritual é a necessidade deste texto.
Número de deputados federais de Goiás no congresso nacional: 17
Eleitos em 2014
Os que disputam a reeleição em 2018
Estão na disputa do executivo Estadual
Na disputa como suplente de senador
Não disputam a reeleição mas apoiam outros candidatos
17
12
02
01
02
Os deputados federais eleitos em 2014, vários já vinham de reeleição e novamente estão no pleito eleitoral de 2018. Renovação é uma retórica. Estes dados estão disponíveis em sites dos tribunais eleitorais, Câmara Federal e em outros.
Estes números demonstram que não há novidades no fronte. A reeleição será garantida à maioria que fizeram quatro anos de campanha à custa do erário. Mesmo as renovações serão ocupadas por ex-deputados federais que eram suplentes ou ocupavam cargos nas instâncias estaduais ou municipais.
Delegado, pastor e policial são ocupações que aparecem antes do nome do candidato como um adjetivo apresentando e qualificando o nome postulando ao cargo. Como se isso fosse reserva moral da sociedade, se fosse qualidade supranormal. O uso da fé profana os templos, em busca do poder e da vontade desenfreada de determinar a subordinação da vida. A violência, o medo, o sofrimento vira discurso fácil na boca de quem é pago para combater a mesma, no entanto, é a sociedade marcada pela dissimulação e o Estado correspondente que facilita a emergência desse tipo que tenta se consagrar como um combatente do crime. Na verdade, sua emergência já é uma mentira e uma manipulação da triste realidade.
A ampla visibilidade da corrupção, lugar comum no discurso do eleitor, não altera o processo eleitoral, ao contrário, os escroques são os mesmos, as instituições são as mesmas e por isso, surrupiar o dinheiro público continuará galopante. O eleitor continuará elegendo os seus feitores em troca de migalhas ou de mais maldades.
Pelo menos seis partidos mudaram de nomes para disfarçarem suas picaretagens, mudar o nome sem mudar mais nada (o partido atualmente denominado DEM tem suas origens na antiga ARENA, passando para PDS e PFL; MDB, PMDB e retornou ao MDB; PTN virou PODEMOS; PTdoB se intitula AVANTE; PEN passou a PATRIOTA e PSDC para DC), existe os figurões que não mudaram os nomes dos partidos mas se transferiram para outros partidos, cientes que o eleitor não tem tempo para colher essas informações.
Desta forma os eleitores de forma inocente, induzidos ou com negócios no Estado, continuam participando da farsa legitimando-a. Ao que tudo indica, feitores de ontem ou de hoje chegarão ao poder com a gana do ilícito. A farda, o mal uso da fé, a polícia, negócios familiares – de pai pra filho – e outros vilipendiosos negócios fazem das eleições o que é, um balcão de negócios sórdidos.
No país o que se observa é isto, processo eleitoral de pais pra filhos, os patrões indicando/impondo candidaturas, o uso do Estado para legitimar o medo, a violência balizando nomes para dirigir o mesmo. O eleitor subjugado pela fé, o medo, a fome e uma vã esperança, somado ao oportunista, o larápio, o negociante do voto, aquele com interesse no Estado e de prontidão para agenciar o eleitor irá legitimar o processo garantindo aos mercenários/empresários o Estado como fórum privilegiado da exploração e opressão dos trabalhadores.  
Lutar por uma possibilidade de superação destas caras instituições que formam o Estado capitalista, de maneira a indicar sua superação, é o que sobram aos trabalhadores, portanto, votar nulo é legítimo e mais preciso quando se declara que a luta pela autogestão é condição necessária deste ato.

domingo, 19 de agosto de 2018

CURSO "A DIALÉTICA MARXISTA"



Nas manhãs de sábado, entre os dias 15 de setembro e 6 de outubro, o Ruptura Espaço Cultural promoverá o curso "A DIALÉTICA MARXISTA".

Excelente oportunidade tanto para aqueles que já possuem estudos da obra de Karl Marx, quanto para aqueles que desejam uma abordagem inicial.

As inscrições custam 20 reais e há certificação ao final do curso.

O curso será ministrado pelo Prof. Dr. Nildo Viana, da Faculdade de Ciências Sociais da UFG.

O Ruptura Espaço Cultural está localizado próximo à Praça da Bíblia. Av. Anhanguera, Qd 117-B, Lt. 04, Nº 128.

Em frente ao Sindicato dos Empregados no Comércio (SECEG) e Igreja Videira.

Informações e Inscrições:
nupaccursos@gmail.com
http://nupac.net 







sexta-feira, 27 de julho de 2018

Nova edição da Revista ENFRENTAMENTO - PARA UMA CRÍTICA DA BUROCRACIA

Disponível a nova edição da Revista Enfrentamento!
Esta edição conta com contribuições de Nildo Viana, Edmilson Marques, Diego Marques, Rubens Vinícius e Jan Waclaw Makhaïsky, onde os autores aprofundam a crítica da burocracia (como classe social e forma organizacional) e do processo de burocratização do conjunto das relações sociais, iniciados na edição anterior. 
Do editorial:
"A classe operária, nos momentos de radicalização de suas lutas, torna consciente esta característica das lutas sociais. Contudo, cessado o ciclo de lutas, tal aprendizagem, via de regra, não se acumula, não se sedimenta. Em um novo ciclo, ela deve aprender de novo, pois surge uma nova geração de trabalhadores que aprende, novamente, por si mesma, o significado da burocracia enquanto classe. Somente quando houver a superação desta situação, de modo continuado no tempo e no espaço, é que veremos a possibilidade de uma nova sociedade se apontar no horizonte. A burguesia, quando a classe operária entra em luta, é facilmente identificável como inimiga. Essa identificação também ocorre com o estado, pois este acorre em reprimir o movimento. As burocracias inferiores, contudo, são as últimas a serem percebidas como inimigas. Quando isto acontece é porque a luta de classes já está radicalizada a níveis perigosos para a classe dominante. E esta faz tudo o que puder para evitar este degrau na luta do proletariado.''