quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Cine Debate Ruptura apresenta: "O Jovem Marx"


NOVAS SESSÕES!!



O filme "O Jovem Marx" foi lançado recentemente e não foi exibido nas salas de cinema de Goiânia. O Ruptura - Espaço Cultural, vai realizar três sessões desse filme acompanhadas de debate, inaugurando o seu evento "Cine Debate Ruptura":

CINE DEBATE RUPTURA

Apresenta...

“O Jovem Marx”, um filme de Raoul Peck sobre o fundador do marxismo.

Em duas sessões:

Dia 31/08 (quinta), às 19 horas.
Dia 01/09 (sexta), às 19 horas.
Entrada: R$10,00

Inscrições: rupturacultural10@gmail.com
As inscrições devem ser feitas até dia 30/08, 23:59 minutos e é necessário que receba um email de confirmação de inscrição, pois são apenas 30 vagas por sessão. Por isso se solicita colocar a sessão de preferência e disponibilidade para outra sessão, como opção, caso já tenha esgotado as vagas.

Promoção: RUPTURA ESPAÇO CULTURAL

Apoio:

NUPAC (Núcleo de Pesquisa e Ação Cultural)

GPDS/UFG (Grupo de Pesquisa Dialética e Sociedade)

NEMOS/UFG (Núcleo de Estudos e Pesquisa em Movimentos Sociais)

NPM/UEG (Núcleo de Pesquisa Marxista)

NEPALM/UFMS (Núcleo de Estudos e Pesquisa América Latina em Movimento).

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Contra o neoliberalismo e as políticas de austeridade


O Estado neoliberal é a forma estatal adequada à etapa atual do modo de produção capitalista. Com diferenças nacionais, pode-se dizer que esta forma estatal se caracteriza por: a) privatização das empresas estatais; b) privatização e/ou redução dos gastos com “serviços públicos” como saúde, educação, saneamento básico etc. e, contraditoriamente, aumento dos recursos com segurança, encarceramento, repressão; c) retirada de direitos trabalhistas; d) políticas de austeridade etc.
As chamadas “políticas de austeridade” do atual governo são a última expressão do Estado neoliberal no Brasil. É o “Estado mínimo” defendido pelos capitalistas e seus ideólogos neoliberais que atuam nos meios de comunicação de massa, nos governos e nas universidades. Estado mínimo em “direitos sociais”, máximo em repressão e entrega dos recursos estatais para os empresários e banqueiros. Mas as políticas neoliberais não surgiram nos últimos meses, elas vêm sendo implantadas no Brasil desde a década de 1990, começando com o governo de Fernando Collor de Mello e continuando com os governos de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.
As últimas medidas tomadas pelo governo só confirmam este caráter neoliberal do Estado brasileiro (reforma trabalhista, reforma da previdência, etc.). Contudo, para os trabalhadores, o problema não é o Estado na sua forma neoliberal em particular, mas sim o Estado em geral. A função da instituição estatal, em suas várias formas assumidas ao longo da história do capitalismo, é conter a luta de classes por meio da regularização das relações sociais e da repressão das classes exploradas e oprimidas, garantindo, assim, as condições de reprodução das relações de dominação e exploração. Deste modo, a luta não é somente contra o Estado neoliberal, como defende o bloco reformista (sindicatos, partidos de “esquerda”, etc.), a luta deve ser contra o capitalismo e o Estado em geral, independente da forma que se apresenta e do partido que está no governo.
Nos últimos anos, vem se esboçando no Brasil experiências de lutas que apontam, mesmo que embrionariamente, para isto. A juventude estudantil tem demonstrado grande combatividade e criatividade no enfrentamento das ações de governos que prejudicam as classes desprivilegiadas. As mobilizações espontâneas de maio e junho de 2013 e as ocupações de escolas e universidades nos últimos dois anos são os exemplos mais recentes dessa disposição de luta. À medida que se insurgem contra os aumentos das passagens do transporte coletivo, pelo passe livre, contra o fechamento ou a terceirização das escolas públicas e contra as medidas que limitam os recursos para os serviços públicos, a juventude cria novas formas de luta e de organização, livres das amarras burocráticas das entidades estudantis tradicionais (UBES, UNE, DCE etc.).
Da mesma forma, as classes trabalhadoras desprivilegiadas, em especial o proletariado, devem arrancar suas lutas das mãos das instituições sindicais, dos partidos políticos e dos políticos profissionais. Enquanto estiverem submetidas aos seus “representantes”, as classes trabalhadoras não se constituirão como uma oposição real à radicalização das políticas neoliberais em curso. Só podem constituir tal oposição, através da auto-organização e do desenvolvimento da consciência de seus interesses de classe.
Somente superando a sociedade capitalista é que se vislumbra a solução dos problemas sociais existentes. Não se trata de reformar o capitalismo, mas sim, de superá-lo, estabelecendo em seu lugar uma sociedade radicalmente distinta: a Autogestão Social!
Movimento Autogestionário

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O filme sobre o Jovem Karl Marx em Goiânia!



O filme "O Jovem Marx" foi lançado recentemente (trailer abaixo) e não foi exibido nas salas de cinema de Goiânia. O Ruptura - Espaço Cultural, vai realizar três sessões desse filme acompanhadas de debate, inaugurando o seu evento "Cine Debate Ruptura":

CINE DEBATE RUPTURA

Apresenta...

“O Jovem Marx”, um filme de Raoul Peck sobre o fundador do marxismo.

Em três sessões:

Dia 13 (quinta), 19 horas (sem vagas) 

14 (sexta), às 19 horas, (sem vagas).
Dia 15, sábado, às 08:30, (últimas vagas).
Entrada: 10 reais.

Inscrições: gpdsufg@gmail.com
As inscrições devem ser feitas até dia 12, 23:59 minutos e é necessário que receba um email de confirmação de inscrição, pois são apenas 40 vagas por sessão. Por isso se solicita colocar a sessão de preferência e disponibilidade para outra sessão, como opção, caso já tenha esgotado as vagas.

Mais Informações:
https://rupturaespacocultural.blogspot.com.br/2017/07/o-jovem-marx-no-cine-debate-ruptura.html

Promoção: RUPTURA: ESPAÇO CULTURAL

Apoio:


NUPAC (Núcleo de Pesquisa e Ação Cultural)

GPDS/UFG (Grupo de Pesquisa Dialética e Sociedade)

NEMOS/UFG (Núcleo de Estudos e Pesquisa em Movimentos Sociais)

NPM/UEG (Núcleo de Pesquisa Marxista)

NEPALM/UFMS (Núcleo de Estudos e Pesquisa América Latina em Movimento).

sábado, 15 de abril de 2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

Novo número publicado da revista marxista autogestionária!


v. 3, n. 5 (2016)

Revista Marxismo e Autogestão 05

Revista Marxismo e Autogestão, vol. 03, num. 05, jan./jun. de 2016.

Sumário

Editorial

Pessimismo e Otimismo Texto Completo
Conselho Editorial 3-4

Marxismo Autogestionário

A Concepção Marxista de Classes Sociais Texto Completo
Nildo Viana 5-20
Marx e Bakunin Texto Completo
Maurício Tragtenberg 21-42

Marx, Marxismo e Marxistas

Karl Korsch: Breve Biografia Intelectual Texto Completo
Paul Mattick 43-60
Marx e a Ideologia Alemã Texto Completo
Otto Rühle 61-66

Análise e Crítica Marxista

O Homem e a Liberdade Texto Completo
Gajo Petrovic 67-73
Reflexões sobre a Utopia e a Revolução Texto Completo
Maximilien Rubel 74-81

Capitalismo e Luta de Classes

O Mundo Vivido e a Impotência da Consciência Texto Completo
Roy Panik 82-88
O Novo Movimento Revolucionário Mundial Texto Completo
Nicos Zagorakis 89-96

Teorias da Autogestão

A Autogestão como Conteúdo do Novo Ciclo Revolucionário Texto Completo
Nildo Viana 97-99

Experiências Autogestionárias

A Revolução Francesa de Maio de 1968 Texto Completo
Alan Woods 100-120

Autogestão e Formação

Autodidatismo e Educação Escolar Texto Completo
Leon Rodriguez 121-127

Escritos Atuais do Passado

A Destruição como Método de Luta Texto Completo
Anton Pannekoek 128-130
Mercado e Crise Texto Completo
Karl Marx 131-133

Polêmicas e Outras Perspectivas

Notas Sobre Trotsky, Pannekoek e Bordiga Texto Completo
Jean Barrot 134-143

Resenhas

Keith Jenkins: Historiografia e Poder Texto Completo
Nildo Viana 144-155

domingo, 2 de outubro de 2016

POR QUAL MOTIVO O MOVAUT NÃO VAI ADERIR À “ARTICULAÇÃO DO BOICOTE À FARSA ELEITORAL”?

POR QUAL MOTIVO O MOVAUT NÃO VAI ADERIR À “ARTICULAÇÃO DO BOICOTE À FARSA ELEITORAL”?


O Movaut agradece o convite dos responsáveis pela proposta de uma “Articulação do Boicote à Farsa Eleitoral” para estar participando dessa iniciativa e considera que a ideia em geral é positiva. No entanto, a proposta traz em si alguns problemas e por isso o Movaut não irá compor tal articulação e vamos esclarecer, a seguir, as razões pelas quais recusamos o referido convite.

1.                  Como se constrói uma articulação de coletivos revolucionários.

O Movaut sempre tentou articular com diversos coletivos (anarquistas, autonomistas, independentes, etc.) e considera fundamental a articulação entre as organizações e indivíduos revolucionários e por isso já propôs a formação de uma federação a nível nacional a alguns coletivos e retomou essa proposta algumas vezes, sem grandes resultados, pois sempre as divergências entre os coletivos e as distintas concepções foram obstáculos que impediam tal processo. O Movaut considera que o fortalecimento do Bloco Revolucionário (que é um conceito que expressa uma determinada realidade, no caso, o conjunto das forças, coletivos, ideias, indivíduos que são expressão de uma consciência revolucionária e não organização ou qualquer outra coisa, apesar dos plagiadores do Movaut confundirem os termos e deformarem o seu real significado, desde a UNIPA até o PCB) fundamental.

Contudo, também considera que existem setores no bloco revolucionário (oposto ao bloco dominante/conservador e ao bloco progressista, este último dominado pelos “partidos de esquerda”) que são ambíguos e que assumem ideias e práticas equivocadas, gerando assim um obstáculo interno para o avanço desse bloco e, por conseguinte, sua contribuição à luta do proletariado e demais classes sociais desprivilegiadas. As divergências e contradições, tanto nesse nível, que tem maior importância, quanto em outros, incluindo nesse último caso idolatria por doutrinas ou pensadores do passado, dificultam esse processo e uma maior eficácia do bloco revolucionário na luta de classes.

Isso se manifesta na proposta de articulação entre os coletivos que se posicionam contra o processo eleitoral. Um dos problemas dessa proposta é o da linguagem. Se se quer unir todos que combatem o processo eleitoral numa perspectiva revolucionária e não existe o consenso na forma de fazer isso – voto nulo ou abstenção, por exemplo, então seria necessário que o nome da articulação possibilitasse a inclusão de todas as concepções. Isso se reproduz, com menos importância, no uso de termos como “massas”, “povo”, “poder popular”, etc.

A articulação de coletivos revolucionários não pode ser algo que alguém propõe (de quem foi a ideia original? Com quais objetivos? Quem foi convidado e participa? Quais são suas concepções, etc.?) sem uma reflexão antes e durante sua construção. Uma articulação de coletivos revolucionários em torno de uma questão pontual é algo problemático. O processo eleitoral deve ser combatido e nós propomos o voto nulo autogestionário, mas não pensamos que uma articulação de coletivos revolucionários possa se contentar com uma questão parcial e limitada como no caso de um posicionamento e ação diante das eleições. É preciso que se discuta qual é a importância disso para a luta revolucionária e qual é o projeto alternativo, pois não basta lutar contra o processo eleitoral, é fundamental apresentar uma alternativa, que, no caso do Movaut, é a autogestão social. Nem todos defendem a autogestão social (pelo menos não com este nome), o que não impede uso de termos mais genéricos que englobe as concepções da sociedade futura.

Assim, consideramos que a construção inicial já foi problemática, pois lança a ideia da articulação e suas ideias básicas e em nenhum momento chama para a reflexão e debate (inclusive sobre a concepção e os planos de ação que já estão presentes na carta-convite). Dito isto, passemos para alguns questionamentos mais concretos e que estão intimamente relacionados com tudo que foi dito até agora.

2) A fragmentação só pode ser superada a partir de um projeto em comum e não de ações pontuais em comum e nem todos que se dizem revolucionários deveriam ser convidados.

Segundo a carta-convite da Articulação, a unificação daqueles que defendem o boicote eleitoral é “um passo importante para tentar superar a fragmentação dos setores combativos no país diante da ofensiva dos de cima (sic)”. A fragmentação aludida na carta-convite é um produto social e histórico que tem sua raiz no problema da concepção política, que é ligada a luta de classes. Logo, ela não pode ser superada deixando de lado o debate sobre concepção política e união não refletida para uma ação pontual. Isso seria no máximo a substituição de ações de diversos indivíduos e coletivos isolados por uma reunião em atos e um texto, que nada unificaria e não serviria para a superação da fragmentação, já que sua razão de ser não seria trabalhada.

Derivado disso o Movaut discorda de qualquer articulação que não se proponha a refletir sobre a concepção política e, por conseguinte, aceite no seu interior todos que se “dizem” revolucionários. As diferenças de concepções políticas, em muitos casos, são derivadas de ligações com tradições políticas, pensadores, influências culturais, etc. Em outras, são mais profundas, expressam distintas perspectivas de classe. O bolchevismo sempre se autodeclarou revolucionário. No fundo, no entanto, é contrarrevolucionário e ao invés de ser uma expressão do proletariado, é expressão da burocracia (em seu setor mais radicalizado). Mesmo parecendo ser revolucionário, assumindo radicalidade, incluindo o ativismo que muitos gostam, e até combatendo as eleições, o bolchevismo é contrarrevolucionário e visa a conquista do poder estatal, sendo uma burocracia partidária que quer se fundir com a burocracia estatal. Historicamente, o que ele produziu foi o capitalismo de estado. Portanto, a posição do Movaut frente ao bolchevismo é de luta e a razão disso é seu caráter de classe, burocrático, e seu significado negativo para a luta proletária (e para o bloco revolucionário, que ele sempre combate estando no poder estatal e não seria necessário recordar a Revolução Russa e outros processos históricos para aprender com as experiências históricas). Nesse sentido, o Movaut é antibolchevique, o que significa ser antagônico a todas as concepções bolchevistas e seus derivados e variações. Logo, o Movaut é antimaoísta (e até o maoísmo esquerdista que surgiu no final dos anos 1960 com o processo de intensificação da luta de classes dessa época e com a chamada “revolução cultural chinesa”, tem limites que nos parecem intransponíveis).

A Carta-Convite não esclarece quem faz parte dessa articulação, mas percebemos que grupos bolchevistas estão presentes e isso é um grave problema e o caráter proletário de tal articulação se vê comprometido. O Movaut não faz alianças e atua junto com correntes bolchevistas em uma organização, frente, etc. Nos movimentos sociais, no movimento operário, etc., é possível andar lado ao lado, mas por causa de ser algo mais amplo e não como aliados e sim como manifestando posições distintas, que podem até concordar em uma ou outra coisa pontual, mas no geral e no essencial é antagônico e isso vai, fatalmente, se manifestar nas lutas concretas. Não se trata de questões pessoais, inclusive alguns indivíduos bolchevistas podem ser pessoas honestas e que acreditam e lutam sinceramente pela transformação social, mas suas concepções e práticas derivadas são um obstáculo e a crítica que realizamos serve não só para as lutas de classes em geral como também para que estes indivíduos, mantendo sua honestidade e sinceridade, avancem e abandonem suas posições equivocadas e não-proletárias.

Curiosamente, há vários setores dentro do anarquismo que preferem se aliar ao maoísmo e outras correntes bolchevistas, que possuem toda uma história não só de crítica (limitada e equivocada na maioria dos casos) ao anarquismo como também o combate ao mesmo nas experiências históricas de tentativas de revoluções proletárias, do que com o Movaut. As razões disso são várias e uma delas é o voluntarismo e ativismo – o que é um elemento presente na Carta-Convite, pois é uma chamada à ação numa questão pontual que nunca aponta para a reflexão. Isso é extremamente problemático e deixa certos setores do anarquismo refém de outras correntes que, mesmo que não façam reflexões nas articulações em conjunto, possuem toda uma concepção a respeito do processo e de seus objetivos. O anarquismo tem o dever revolucionário de refletir sobre os efeitos de suas decisões e ações nas lutas de classes e evitar reforçar aqueles que expressam interesses de outras classes que não o proletariado e demais classes desprivilegiadas. Ao não fazer isso, certos setores anarquistas tendem a se tornar bucha de canhão de certos setores bolchevistas. O Movaut é antipartidário, seja partidos legalizados ou não, mas considera que o combate aos partidos não é através da violência, de ataque a indivíduos, etc. A recusa dos partidos políticos é por causa de seu caráter e a forma de combatê-los é mostrar para a população o que são e assim torná-los inúteis e ineficazes.

Em síntese, o Movaut não se alia e não lança manifesto, bem como não realiza ações em conjunto, com correntes bolchevistas e esse é um dos motivos pelos quais não vai aderir à Articulação em torno do processo eleitoral.

3) A falta de reflexão revela a imaturidade política da proposta apresentada e somente um chamado para um debate coletivo é que poderia gerar uma verdadeira articulação revolucionária.

A Carta-Convite, como já colocamos, mostra um descaso com a reflexão sobre a articulação que se pretende construir e com o que se propõe mais concretamente. Isso mostra a imaturidade política que se manifesta de forma mais cabal na ideia de “convocar e coordenar onde for possível ações contra as sedes dos partidos e candidatos”. Não deixa de ser curioso que setores que, durante as manifestações de junho de 2013, compraram o discurso do bloco progressista (especialmente de certos intelectuais e partidos de esquerda) segundo o qual a recusa dos partidos políticos seria manifestações de “fascismo”, agora apontem para “ações contra as sedes dos partidos e candidatos”.

Que sentido tem isso? O que isso contribui com a luta revolucionária? O que isso colabora com o desenvolvimento da consciência dos trabalhadores? Em absolutamente nada e ainda abre espaço para a criminalização e repressão aos componentes do bloco revolucionário e aos progressistas extremistas (os bolchevistas que estão envolvidos nessa articulação). Isso está envolvido numa ideia equivocada de radicalidade, que a confunde com violência. O processo de transformação social conviverá com atos de violência de todos os lados, mas isso não é por gostarmos e querermos isso. Então não devemos transformar o “mal necessário” em “virtude”. Ao invés de ações contra sedes de partidos e candidatos, é muito mais politizador e revolucionário realizar a propaganda que esclareça o que são os partidos políticos, seu caráter burocrático e contrarrevolucionário, e desmascarar os candidatos. Esse tipo de proposta revela, novamente, o baixo grau de reflexão e isso pode trazer consequências nefastas para os coletivos e até mesmo para os indivíduos envolvidos nessa articulação.

A posição do Movaut

O Movaut, tendo em vista estes pontos levantados, não participará de tal “Articulação do Boicote à Farsa Eleitoral”. O Movaut defende uma maior articulação dos coletivos que são integrantes do bloco revolucionário existente no Brasil e poderá desenvolver atividades conjuntas e realizar diversas ações e articulações com tais coletivos, desde que não haja correntes bolchevistas e seja algo que, por falta de reflexão ou qualquer outro motivo, não expresse a perspectiva do proletariado.

Acreditamos que a posição mais adequada diante do processo eleitoral é a do voto nulo autogestionário. Os motivos fundamentais para isso são: o voto nulo autogestionário une protesto e deslegitimação da democracia representativa com a luta vinculada entre a negação das instituições burguesas e o projeto de transformação social autogestionário; e, por outro lado, o voto nulo se diferencia por não ser mero abstencionismo (o chamado boicote eleitoral) e sim um uso político das brechas do processo eleitoral, buscando assim trazer para a contagem oficial o descontentamento popular com as instituições e políticos, burgueses ou falsos porta-vozes dos trabalhadores.


É por isso que o Movaut continuará a lutar pelo voto nulo autogestionário e poderá articular e trabalhar junto com outros coletivos que estão no espectro do bloco revolucionário e não fará isso com correntes que estão no espectro do bloco progressista, por mais extremista que seja. Desta forma, o Movaut está sempre disposto a realizar articulações e luta conjunta com demais setores do bloco revolucionário, desde que no interior da perspectiva do proletariado.