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sábado, 17 de dezembro de 2011

Após 8 mortes, novos confrontos ocorrem em praça do Cairo

Após 8 mortes, novos confrontos ocorrem em praça do Cairo


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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Soldados egípcios entraram em confronto com manifestantes no centro do Cairo pelo segundo dia consecutivo neste sábado, em uma onda de violência que já deixou ao menos oito mortos desde ontem. Os distúrbios mostram a tensão entre ativistas que exigem o fim do governo militar e as forças de segurança.

Neste sábado, centenas de manifestantes lançaram pedras contras soldados, que cercaram as ruas em volta do Parlamento e também lançaram pedras e jatos d´água contra a multidão na região da praça Tahrir.

Uma grande coluna de fumaça cobriu o centro do Cairo depois que manifestantes atearam fogo nas ruas. Houve relato de disparos vindos de telhados e, além dos oito mortos, mais de 300 ficaram feridos.




Asmaa Waguih/Reuters








Manifestantes jogam pedras contra soldados perto da praça Tahrir, no Cairo


O premiê egípcio, Kamal Ganzouri, negou que soldados tenham disparado contra manifestantes e disse que "um grupo não-identificado efetuou disparos", acrescentando que seu governo visa "salvar a revolução".

Um grande número de egípcios está insatisfeito com o governo liderado por uma Junta Militar, que deveria ser provisório, e acusa o governo de tentar se manter no poder por tempo indeterminado.

Em um comunicado divulgado ontem, o governo diz que os confrontos tiveram início quando um militar foi atacado por manifestantes que tentavam invadir o Parlamento.




Mohammed Abed/France Presse









Manifestante passa pelo prédio do ministério dos Transportes e Comunicações no Cairo


Os ativistas que fizeram a revolta popular que derrubou o ex-ditador Hosni Mubarak não tiveram sucesso no primeiro turno das eleições realizdas ano mês passado em nove das 27 províncias do Egito--entre elas Suez (nordeste), Aswan (sul) e Gizé (que abrange uma parte do Cairo)--, com os partidos islamitas obtendo vasta maioria das cadeiras.

Os resultados do segundo turno, finalizado na quinta-feira (15), devem ser divulgados nos próximos dias. As demais regiões do país devem ir às urnas no próximo mês.

O Exército continua a ser a autoridade em exercício, enquanto não houver um presidente.

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1022816-apos-8-mortes-novos-confrontos-ocorrem-em-praca-do-cairo.shtml


terça-feira, 24 de maio de 2011

Protesto anti-G8 na França

Protesto anti-G8 na França
Milhares de pessoas participaram neste sábado (21 de maio) na cidade portuária de Le Havre, de uma passeata contra a cúpula do G8 (grupo composto por Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, Alemanha, Japão, Itália e Canadá) que será realizada nos dias 26 e 27 de maio em Deauville, balneário luxuoso do noroeste francês.
Diversas organizações convocaram a manifestação, que percorreu as ruas centrais da cidade. Os protestantes carregavam muitas faixas, cartazes, bandeiras, panfletos e não paravam de gritar palavras de ordem contra o G8.
As autoridades francesas mobilizaram um forte dispositivo policial por causa da manifestação, a primeira organizada na França contra a cúpula. Outros protestos estão sendo organizados para os próximos dias. 
Mais de 12 mil homens serão mobilizados para proteger presidentes e chefes de governo que participarão da cúpula do G8 e evitar o acesso a uma área do centro de Deauville. Quarenta helicópteros das forças armadas e da defesa civil estarão disponíveis na área, assim como aviões teleguiados para vigiar a partir do céu e uma dezena de veículos blindados, navios de guerra e lanchas rápidas e duas baterias de mísseis terra-ar, posicionadas em locais estratégicos da cidade, que também terá o espaço aéreo fechado durante a cúpula.
agência de notícias anarquistas-ana
a borboleta
pousa sobre o sino do templo
adormecido
Buson
No final da passeata um grupo de anarquistas atacou com pedras e paus alguns estabelecimentos bancários e fizeram pichações anticapitalistas.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Protestos em Portugal

Manifestações por todo o país não foram só para os jovens. Os pais, os avós e os filhos também foram à rua protestar.

«O país precário saiu do armário». As palavras de ordem apelavam aos jovens, aos «desemprecários» de uma geração que se diz à rasca. Foi por eles que o manifesto se foi propagando no Facebook. Mas hoje eles não estiveram sozinhos.

Centenas de milhares de portugueses saíram à rua para protestar pacificamente contra não só um Governo, um ou outro pacote de austeridade, mas sobretudo por condições de vida que foram perdendo sem saberem muito bem porquê.

À falta de números oficiais (será mesmo possível contá-los?), em Lisboa fala-se de 200 mil pessoas num protesto pacífico, muitas vezes até silencioso, que encheu a Avenida da Liberdade por completo.

«O povo não precisa de partido». «Com precariedade não há liberdade». «Somos todos trabalhadores, precários são os vínculos». «Esta é a nossa moção de censura». Os cartazes eram muitos. Ouvia-se falar em «revolução precária», viam-se muitos cravos de Abril e também se cantava «Grândola, vila morena».

Eram jovens, com os filhos, os pais, os avós, desde bailarinas a arquitectos e estudantes, anarquistas, comunistas e nacionalistas, com roupas hippies mas também de marca. Estavam lá todos. «O país está à rasca», lia-se na faixa da linha da frente.

Também não faltaram os grupos políticos, partidos dos animais, activistas homossexuais, artistas de rua, clientes de bancos. E, claro, os «Homens da Luta», com a sua própria manifestação, em cima de uma carrinha, com colunas de som que ajudavam a espalhar as letras dos «camaradas, pá».

No Rossio, Jel e Falâncio tiveram ainda a ajuda da Dona Estela, uma senhora de 80 anos que não esquece certamente os tempos da grande luta. E para comemorar a vitória no Festival da Canção, houve pão, queijo e vinho para todos.
As razões de estarem todos ali?

Diogo Monteiro, 26 anos: «Eu estou entre trabalhos, tanto posso estar a trabalhar hoje como amanhã não ter trabalho».

João Silvestre, 24 anos: «Tirei um mestrado com média de 18, mas como sou altamente qualificado não consigo arranjar trabalho».

Luís Santos, 25 anos: «Estive a estagiar numa empresa internacional, propuseram-me fazer outro estágio e agora estou a receber um ordenado miserável».

Ana Simões, 38 anos: «12 anos a recibos verdes acho que é razão suficiente para estar aqui hoje».

Ana Mateus, 37 anos: «Estou há 14 anos a recibos verdes, até como directora de uma instituição».

No Porto, em Ponta Delgada, em Viseu, em Braga, em Coimbra, em Castelo Branco e no Funchal foi a mesma coisa.

Foram horas de protesto, muitas conversas mais ou menos revolucionárias e um grande ponto de interrogação no que vão conseguir na prática. «A luta continua quando o povo sai à rua». A canção, pelo menos, promete mais.

Veja mais notícias em:
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/geracao-a-rasca-protesto-lisboa-facebook-manifestacao-tvi24/1239040-4071.html

segunda-feira, 7 de março de 2011

Seguem os protestos árabes, ainda sem respostas

Seguem os protestos árabes, ainda sem respostas


Por Stephen Lendman, do Countercurrents | Tradução: Coletivo VilaVudu
Até agora, semanas de rebeliões regionais nada conseguiram. Apesar da saída de Mubarak da presidência do Egito e de Ben Ali, da Tunísia, os dois regimes permanecem governando, e nada oferecem além de promessas.
Dia 26/2, um mês depois das primeiras manifestações, os egípcios voltaram a protestar na Praça Tahir. Naquele dia, foram atacados pelas forças militares. A Agência Reuters, sob manchete que dizia “Militares egípcios enfurecem manifestantes no Egito, com show de força”, noticiava:
“Soldados usaram a força no sábado para interromper manifestação que exigia mais reformas políticas no Egito, segundo manifestantes, no ataque mais dura, até agora, contra ativistas de oposição que acusam os militares egípcios de estarem “traindo o povo”.

Houve violência, espancamentos, feridos, bombas de gás lacrimogêneo, tiros disparados para o ar, e ameaças de ação ainda mais dura, se os protestos prosseguirem. A Al-Jazeera noticiou:
“Os manifestantes deixaram a praça principal, mas muitos se reuniram em ruas laterais (…) Testemunhas contam que viram muitos manifestantes caídos, mas não puderam precisar se eram mortos ou feridos, nem a gravidade dos ferimentos.”
Asfraf Omar, que participava das manifestações, disse:
“Sou um dos milhares que não arredamos pé da praça depois que o exército apareceu para dispersar os manifestantes, com munição real e tiros para o alto para nos assustar”.
Disse que os soldados usavam máscaras para não serem identificados. Usaram ônibus militares para levar prisioneiros. Foi caçada de gato e rato: “Acabou a solidariedade entre o povo e o exército.”
Essa solidariedade, de fato, jamais existiu, só a ilusão de que generais com olhos de facínoras seriam democratas ‘de coração’. O exército comandou um governo linha-dura durante décadas, regiamente recompensado por tornar efetiva a repressão pelo estado.
“Usavam porretes e bastões eletrificados”, disse Omar. “Achei que as coisas pudessem mudar. Quis dar uma chance ao governo, mas esse regime não tem salvação. Não serve para nada. Estou de volta às ruas. Ou conquisto alguma dignidade para viver, ou morro na rua.”
Os egípcios querem renúncia imediata da junta militar e a libertação de todos os prisioneiros políticos. Estão ofendidos pela ausência de qualquer proposta, e porque o primeiro-ministro interino Ahmed Shafiq manteve no poder todos os asseclas de Mubarak.
Resultado, a luta está outra vez nas ruas. Ouvem-se slogans ‘contrarrevolucionários’: “Não queremos mais Shafiq. Se quiser, que mande bala.” “Revolução até a vitória”, “Contra Shafiq”, “Contra o palácio”, “Não sairemos daqui. Quem sairá é Shafiq”. “Os mortos não morreram por isso”. “Shafiq é aprendiz de Mubarak. Queremos um novo começo. Shafiq não é começo. Recusamos Shafiq.”
A Agência Reuters noticiou também milhares de manifestantes em Ismailia, Arish, Suez e Port Said. Além disso, e importante, as greves continuam em todo o país, por melhores salários, moradia decente, fim da corrupção e governo democrático. Estão em greve mineiros e trabalhadores das indústrias metalúrgica, têxtil, química e farmacêutica; trabalhadores de uma usina de processamento de alimentos; professores, motoristas de ônibus e outros trabalhadores nos transportes públicos; trabalhadores de ONG religiosas, e muitos outros que reivindicam direitos trabalhistas. São movimentos que pouco conseguem, mesmo em países desenvolvidos.
A junta de governo no Egito declarou as greves ilegais, sob o argumento de que “põem em risco a nação e estão contra ela.” Disse também que “a atual situação política muito instável não é propícia para discutir-se uma nova constituição.” São especialistas em repressão, não em governo democrático. Deles, não virá nenhuma solução democratizante.
Protestos na Jordânia
Praticamente não noticiados no ocidente e não, com certeza nos veículos da grande imprensa-empresa nos EUA, que está concentrada em esquartejar Gaddafi, os protestos na Jordânia foram notícia no jornal Haaretz, de Israel. Avi Issacharoff, em matéria de 25/2, sob a manchete “Milhares de jordanianos em manifestações em Amã, pela sexta sexta-feira consecutiva”, dizia:
Mais de 5.000 pessoas “exigiram reformas políticas e a dissolução da Câmara Baixa do Parlamento”. Uma semana antes, policiais sem uniforme atacaram os manifestantes. Houve no mínimo seis feridos. O governo da Jordânia negou qualquer envolvimento no ataque. A maioria da população duvida. Os manifestantes exigem o fechamento da embaixada de Israel em Amã; a restauração da Constituição de 1952 – que consagrava o governo representativo. Nas últimas décadas, os direitos democráticos foram gravemente reduzidos na Jordânia. Os manifestantes os querem de volta. O rei Abdullah II prometeu reformas, até aqui ainda não vistas, e que só serão vistas, se o forem, se a monarquia for pressionada.
Protestos de Massa no Iraque
Anteontem, dia 25/2, dezenas de milhares de manifestantes reuniram-se em todo o país contra a ocupação dos EUA, a opressão, a corrupção, o desemprego, a miséria, e por melhores serviços públicos (água potável, eletricidade e assistência médica, dentre outros), contra a carestia dos alimentos e contra toda a miséria humana que desabou sobre o Iraque com a invasão norte-americana.
Houve violência, a segurança iraquiana usou munição viva em Bagdá, Basra, Mosul, Fallujah, Tikrit e por todo o país. Há pelo menos 15 mortos e dezenas de feridos. O Grande Aiatolá Ali al-Sistani falou à televisão Al Sumaria contra as manifestações. Disse que facilitariam a ação de “infiltrados”. Moktada al-Sadr disse, sem se envergonhar, pela televisão, que as forças do estado “tentam destruir tudo que o Iraque obteve, que não tinha, todos os ganhos democráticos, as eleições livres, a alternância pacífica de poder, e a liberdade. Em nome de preservar tudo isso, conclamo-os a derrotar o inimigo, não promovendo manifestações de rua.”
A verdade é que o Iraque vive sob ocupação, sem direitos, sem democracia, sem empregos, vivendo em condições subumanas, sem qualquer possibilidade de qualquer mudança, se não derrotarem a ocupação. Um homem discursou e denunciou o governo de al-Maliki, chamou-o de mentiroso e disse:
“Sou operário. Trabalho um dia e passo um mês desempregado. (Maliki) diz que vivermos hoje melhor do que sob Saddam Hussein. Não vejo qualquer melhoria.” Dezenas de milhares em todo o país exigem o que não veem acontecer. Não parece haver qualquer dúvida de que as manifestações crescerão também no Iraque.
Protestos na Tunísia
[que renunciou ontem, domingo, 27/2, pela tarde (NE)] e de outros nomes do governo Ben Ali que permanecem no poder. A polícia atirou para o ar para dispersar as manifestações. Helicópteros sobrevoaram as ruas e praças. Os manifestantes gritaram “Vá-se!” e “Não queremos os amigos de Ben Ali!”
O ministro do Interior proibiu todas as manifestações de rua e disse que manifestantes que desobedeçam serão presos. Washington e outros governos ocidentais que apóiam o regime de Ghannouchi regime, porque preservaria a estabilidade, quando, de fato, é repetição das velhas políticas, em mãos de praticamente os mesmos governantes. Em visita à Tunísia, semana passada, o senador John McCain (um dos quatro mais reacionários da atual legislatura, no Senado dos EUA) declarou à Agência Reuters:
“A revolução na Tunísia foi sucesso completo e é hoje modelo para a região. Estamos prontos para continuar a oferecer treinamento aos militares tunisianos, para preservar  a segurança de todos”.
A verdade é que nada mudou na Tunísia, nem no Egito, nem na Jordânia nem em lugar algum da região. Todos os velhos governos continuam onde sempre estiveram. Houve levantes, que continuam, mas ainda não houve qualquer revolução. São insurreições quase sempre violentas, convulsas, que ainda não removeram mas podem vir a remover os velhos governos naqueles países, exceto talvez na Líbia, onde há confrontos armados e os rebeldes já controlam partes importantes da capital. Adiante, mais sobre a Líbia.
Protestos no Iêmen
Manchete de 25/2, da Agência Reuters: “Mais dois mortos nos protestos em Aden, no Iêmen”. E o artigo:
“Forças de segurança mataram os dois, e mais dois, e feriram dezenas. Continuam há uma semana os protestos, diários, desde 17/2, em cidades e províncias pelo país. A agitação tem sido especialmente intensa no sul, que já foi país independente, onde muitos ainda se ressentem da unificação sob governo do norte”.
Houve grandes manifestações na capital Sanaa depois das orações da sexta-feira, com manifestantes que gritavam “O povo exige o fim do regime”. A mídia local informou que mais de 80 mil participantes reuniram-se, inclusive mulheres, aos gritos de “Fora” Fora!”
Os manifestantes foram atacados por grandes contingentes de militares e policiais. Passadas várias semanas de protestos, há dezenas de mortos. Mas os iemenitas permanecem nas ruas. Na sexta-feira, um manifestante disse que “Viemos para tomar a cidade do poder do palácio presidencial (de Saleh).” Outros disseram que “é o começo do fim do regime”,
Até aqui, nenhum dos dois lados cedeu, mas as manifestações de rua só fazem aumentar. Apesar disso, Saleh e seu grupo continuam no poder. Haverá derramamento de sangue, se essa situação persistir. Não há indícios de fim para essa crise.
Manifestações incendeiam a Líbia
Ontem, 26/2, a Al-Jazeera noticiava que a pressão contra Gaddafi cresce. “No país, os manifestantes antigoverno dizem que as manifestações estão ganhando novos apoios”, com deserções entre os soldados regulares. Até aqui, a Brigada Khamis, do governo líbio, um exército de forças especiais, permanece fiel ao regime, combatendo contra as forças de oposição.
A violência tem sido extrema, na Líbia. Há centenas de mortos e muitos feridos, O leste da Líbia já está, em grande parte, sob controle dos rebeldes. “Forças da segurança atiraram contra manifestantes na capital Trípoli, depois das orações da sexta-feira. Houve combate pesado também em Fashloum, Ashour, Jumhouria e Souq Al.”
Dia 26/2, manchete do jornal Haaretz dizia: “EUA impõem sanções unilaterais à Líbia e congelam propriedades de Gaddafi”, o que Obama fez mediante decreto do executivo contra ele, sua família e altos comandantes, e contra o governo da Líbia.
Dia 26/2, Helene Cooper e Mark Landler do New York Times publicaram coluna, sob o título “Depois das sanções dos EUA, o Conselho de Segurança da ONU reúne-se para discutir a Líbia”.
Uma coisa, é claro, é defender o acesso ao petróleo da Líbia, no interesse das gigantes norte-americanas do petróleo. Como no Egito e em toda a região, nada disso tem qualquer coisa a ver com derrubar governos despóticos nem com implantar qualquer democracia.
Comentário final
Um último comentário sobre como a imprensa dos EUA reage, sobretudo a televisão, que vive de oferecer o que, para muitos, ainda seriam notícias ou informação. Há semanas acontecem manifestações no Egito, Tunísia, Iêmen, Bahrain, Argélia, Marrocos, Iraque, Irã e, agora, na Líbia, além dos protestos trabalhistas na Arábia Saudita e no Kuwait.
De todos esses países, só o Egito e a Líbia têm merecido cobertura extensiva da imprensa ocidental – e sempre contra os líderes, nunca contra os governos ou suas políticas, das quais praticamente nenhuma imprensa-empresa fala.
Exceto contra Mubarak, só o New York Times deu destaque editorial ao Oriente Médio. Dia 24/2, o NYT escreveu, em editorial “Para deter Gaddafi”, em que se lê:
“A menos que surja alguém que o detenha, ele massacrará centena, talvez milhares de líbios, seu próprio povo, na ânsia para manter-se no poder”.
Nem uma palavra para deter outros déspotas regionais que mantêm laços íntimos com Washington. Nem uma palavra para deter a loucura imperial dos EUA, responsável por matar milhões de pessoas em toda a região (e em outras partes do mundo), direta ou indiretamente, só contados os mortos dos anos 1980s em diante.
Nem uma palavra sobre defender a democracia, as liberdades fundamentais, o Estado de Direito e os direitos dos palestinos, que vivem sob a brutal ocupação do exército de Israel, diariamente oprimidos pela beligerância, por roubo de suas terras, por prisões em massa, por “assassinatos predefinidos” [orig, targeted assassinations], tortura e morte, como os gazenses sitiados em Gaza desde meados de 2007, sofrendo muito terrivelmente a privação de todos os seus direitos e de toda a sua democracia.
Falta ainda aos EUA imprensa que se dedique a defender o certo contra o errado e denuncie as políticas ilegais dos EUA, também internamente, em vez de:
– esquecer todas as necessidades humanas e políticas que afligem o mundo;
– o número recorde, no planeta, hoje, de sem-tetos, desempregados e famintos;
– eleições de fancaria, fraudadas, muitas vezes, frente às câmeras de TV;
– profunda corrupção nos escalões de todos os governos apoiados pelos EUA e também nas empresas e corporações;
– colusão de interesses públicos e das corporações, em todos os planos, nos governos federal, estadual e local, e a guerra sem trégua que o Estado faz contra os movimentos de trabalhadores organizados;
– a decadência geral da sociedade dos EUA, em vários níveis; e
– muitos outros indícios do fracasso do projeto norte-americano, que se vêem mais claramente fora dos EUA, enquanto, simultaneamente, a imprensa-empresa apóia os interesses financeiros, as guerras imperiais e inúmeras outras políticas norte-americanas imorais e assassinas.
Mas não se vê, nos editoriais na imprensa-empresa, nem uma linha contra as políticas dos EUA, contra as atrocidades da guerra, nem qualquer esforço para ensinar à sociedade que quanto mais o mundo esperar, mais gente morrerá. Como se só estivessem morrendo na Líbia, não na Palestina, no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão. A imprensa-empresa nos EUA só olha para os regimes que fazem oposição a Washington – e, até no caso de Gaddafi! – só se manifesta contra o homem, nunca contra as políticas. Porque é fácil trocar os homens, para manter inalteradas as políticas.
http://ponto.outraspalavras.net/2011/02/28/seguem-os-protestos-arabes-ainda-sem-respostas/